4.3.07

A inversão do ônus da festa

Aniversário é sinônimo de festa. Muitos vibram porque adoram bolo, salgadinhos e refrigerante. Outros, pelo contrário, lamentam, pois vão gastar com presente. Mas isso depende muito da idade do aniversariante. Criança não compra presente, então, a festa é lucrativa. Adolescente depende, alguns já trabalham e compram, outros ainda dependem dos pais. E pra adulto nenhum dos dois, mas sobre essa parte falarei no fim do texto. Façamos agora uma pequena evolução das festas, conforme a idade do aniversariante.

1 ano: a pobre criança não entende nada, aquela gentarada ao redor, ele não sabe discernir os presentes bons dos ruins, ganha um monte de pacote de fraldas e alguns brinquedinhos barulhentos, do tipo chocalho, pra se entreter.

2 anos: já entende alguma coisa, ganha alguns carrinhos e outros brinquedos do tipo, que são destruidos em menos de uma semana, além de roupinhas, que geralmente ficam grandes ou curtas. As outras crianças ficam com inveja dos brinquedos e querem brincar também, o aniversariante não deixa, é um chorero só! Quase sempre é nessa hora que a festa acaba.

Com uns 5 anos o aniversariante já começa a pedir o presente dos sonhos pros pais e com a maior sinceridade faz cara feia praqueles presentes que julga ruins ou pros repetidos que ganha dos amiguinhos, como, por exemplo, 5 pares de meia.

Lá pelos 12 anos os amiguinhos já vão sozinhos à festa, cada qual com seu presentinho em mãos. É claro que, eventualmente, aparece aquele envergonhado sem presente, mas sempre escuta aquela velha e confortante frase: “deixa pra lá, o importante é a sua presença...” (humm.. . sei... se fosse o aniversário de 5 anos o coitado seria expulso a pontapés). Outra coisa ruim acontece na escola no fim da aula, quando começa a “brincadeira” do ovo com farinha...

Com uns 14, 15 anos a festa é feita à noite, já começa até a rolar paquera na festinha, ou então a divisão, se é o aniversariante, só vai homem, se é a aniversariante, só mulheres e é claro, sempre aparecem aqueles tios e tias, que jamais perdem uma “boquinha”.

A partir dos 18 anos a história começa a mudar de figura. Em casa não há festa, ou então, apenas um bolinho pros avós e, quem sabe, alguns parentes. Presente? Dos pais, talvez e da namorada ou namorado, caso tenha. Dos amigos? Um abraço e olhe lá! O pior é no trabalho e/ou na faculdade, quando começam as pressões: “e aí fulano! Onde vai ser a cervejada??!”.

É então que aquele sujeito que sempre ganhou a sua festa, sempre ganhou presentes, entra em conflito com a sua mente: Que inversão do ônus da festa é essa? Como é possível o dia que sempre foi o mais feliz do ano se transformar nesse pesadelo?

Pois é, por esse ponto de vista materialista o aniversário acaba se tornando uma porcaria pro aniversariante e uma beleza para os amigos. Antes o lucro era pro aniversariante, agora, para os amigos.

Mas isso não é tão ruim quanto parece. Afinal, todo mundo tem pelo menos uns dois amigos que vão pagar festa também. Digo isso porque, obviamente, nem todo mudo cede às pressões, eu sou um exemplo. Por enquanto, porque mais cedo ou mais tarde vou ter que pagar...


Por Guilherme M. Marcon.

2 Comments:

Anonymous Marco Vicente said...

levando em consideração que sou teu colega de aula.
levando em consideração que, além de colega de aula, sou teu amigo.
levando em consideração que "mais cedo ou mais tarde", você "vai ter que pagar" uma festa, ou, ao menos, uma cervejada e
Levando em consideração que participarei dessa cervejada, venho, por meio desta, informar que a parte do texto que mais gostei foi essa, da tua futura possível festa. :D
abraço...
ah!, por falar em aniversário... qual a data do teu aniversário? hehehe
abraço.

10:23 PM  
Anonymous Ramon Garcia said...

Realmente, aniversários vão se tornando eventos sociais cada vez mais constrangedores a cada flor colhida do jardim da vida. Nossa, acho que já ouço essa frase a mais ou menos uns vinte e cinco anos toda vez que minha mãe me dá os parabéns. É impressionante a proporcionalidade com que a vontade de cantar o famoso Parabéns a Você cai em relação ao aumento da cara de bunda do aniversariante a medida que os anos passam. Enquanto pequenos, é comum as crianças esboçarem as primeiras palminhas ao ouvirem a singela canção. Se fizéssemos um gráfico, teríamos uma parábola com um aumento da vontade de cantar o parabéns até uns dez anos seguido de uma queda brusca. Acho hilário ficar olhando a cara de quem peidou na missa do aniversariante na hora do bolo. Adoro também, até por que sou um adepto, das pessoas que ficam zoando a musiquinha. “Parabéns a você... todos continuam Nessa data querida e eu ainda no Parabéns a você... tirando toda sincronia e musicalidade da canção. E claro sem esquecer do famoso, não Pique, mas sim BIG. Após soprada as velinhas, É Big, é Big, é Big, é Big, é Big, Angeloni, Angeloni, Angeloni, Angeloni, Angeloni CA! RRE! FOUR! Giassi, Giassi, Giassi. Retornando as festas infantis, que também gosto de freqüentar ocasionalmente, gosto de ficar percebendo certas coisas interessantes, tais como aquele brigadeiro amassado na toalha da mesa, e claro nunca ninguém sabe quem foi, pois festa de criança é igual a sabonete, tem sempre um pentelho e ninguém sabe de quem ele é. Mas voltando ao nasty things, como bioquímico não poderia deixar de mencionar se você alguma vez já parou e pensou em quantas bactéria possui a última camada do glacê do bolo? Não sei responder ao certo mas vai depender da quantidade de saliva (baba) pulverizada por sobre o bolo. E não é apenas do aniversariante! Quem nunca teve um primo maleta que ficava tentando apagar a vela do seu aniversário, sem contar as demais crianças que ficam sobrando até quando se risca um mísero fósforo. Ah! O balão surpresa! Meu Deus! Certa vez minha tia inventou de colocar apitos dentro do maldito balão. Resultado, quase foi expulsa do condomínio onde moravam. O legal de aniversários e acompanhar a fase de presentes de nossa vida. A fase de ganhar meias, roupas, brinquedos, carteiras para dinheiro, logo depois a fase de ganhar dinheiro, pois ninguém mais sabe o que dar pro infeliz. CDs, DVDs, bebidas, essa uma das senão a ultima etapa pois chega um momento que o indivíduo já é velho demais pra ganhar bebidas alcoólicas. Depois disso volta-se ao início do ciclo e só se recebe meias, piorando apenas quando elas passam a ser de lã. Poderia discorrer mais sobre aniversários, mas vou deixar espaço para que outros Loucos também o façam e, mas fica a preocupação, nos sentimos velhos quando comprar as velas fica mais caro que comprar o bolo!

8:05 PM  

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